dezembro 24, 2004

Natal, s. m. acto ou efeito de consumir; comprar; venda. ???

Ciccone German conta a história de um homem que, graças à sua imensa riqueza e à sua infinita ambição, resolveu comprar tudo o que estava ao seu alcance (...).
Comprou a ética e a moral, e nesse momento foi criada a corrupção.
Comprou a solidariedade e a generosidade - e então a indiferença foi criada.
Comprou a justiça e as suas leis - fazendo nascer na mesma hora a impunidade.
Comprou o amor e os seus sentimentos, e surgiu a dor e o remorso.
O homem mais poderoso do mundo comprou todos os bens materiais que queria possuir e todos os valores que desejava dominar. Até que um dia, já embriagado por tanto poder, resolveu comprar-se a si mesmo.
Apesar de todo o dinheiro, não conseguiu realizar o seu intento. Então, a partir desse momento, criou-se a consciência da Terra, um único bem em que nenhuma pessoa pode colocar um preço: o seu próprio valor.

Paulo Coelho, O Valor e o Dinheiro, in Lux, 13 de Dez. 2004. (adaptado)

dezembro 17, 2004

Azul Claro

Não tenho conseguido canalizar o que sinto de forma a tocar as tuas mãos, ficando apenas em mim o acumular de sentimentos de cor oposta à sua essência.
Pior é colocar a possibilidade de extinção dessas mesmas cores consequente da falta dela entre nós; não que de ambas as margens não hajam por lá arco-íris em busca mútua, mas o meu espectro nem sempre tem a permissão de emissão e só por vezes absorve algo...
Não deixes que se parta, que nem o preto e o branco existirão e os pedacinhos separados não mais se unirão por minha aparente vontade.
haaliah
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